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10 dias em silêncio – num retiro de meditação

Por 11 de abril de 2018 Nenhum comentário

salve moçada! felipe aqui..

voltei há pouco de um curso de meditação chamado vipassana, uma técnica milenar ensinada simultaneamente em quase 200 centros no mundo interiro. foram, talvez, os dez dias mais longos da minha vida. muito intensos, uma experiência incrível.

10 dias em completo silêncio; meditando em média 10 horas por dia; acordando às 4h da manhã; sem ler, escrever ou escutar (nem tocar) música nem fazer atividades físicas, alimentando apenas o necessário, em isolamento total, sem contato com o mundo exterior. vida de monge, literalmente.

 

várias ideias, histórias, lembranças das pessoas queridas, coincidências surreais e outras gracejos surgiam na mente o tempo todo, pra em seguida irem embora. senti sensações que nunca havia imaginado existir e muitas provavelmente não voltarei a fruir. às vezes, sentia meu corpo como um céu em noite de verão, completamente estrelado e sem moldura. cada sensação era uma estrela e o todo, infinito. senti-me desfazendo e recompondo, desintegrando, petrificando. testemunhei luzes, sentimentos diversos. vivi intensamente, no interior e além da casca. estava completamente sozinho e à salvo. não havia com quem dividir tamanha beleza e dor.

com os inconvenientes surgindo e sem poder conversar pra tentar reverter qualquer situação, fui aprendendo a não permitir que nada externo atrapalhasse minha experiência. chuva, frio, desconforto, fome, exaustão, sono e até ronco alheio deveriam ser tratados como meros antagonistas. não havia espaço para inimigos externos. afinal, está tudo em nossa capacidade de transformar os obstáculos em aprendizado.

esse é uma curta parte do que vivi nos dez dias de retiro. tive vontade de escrever sobre minha experiência, desdobrei um pouco mais. queria reler em algum momento no futuro. contextualizei e resolvi publicar grande parte. o texto é longo, já aviso, mas se tiver curiosidade e interesse pelo assunto… relato meus principais aprendizados, a rotina e normas de lá, casos engraçados e links pra saber mais sobre o que é vipassana, como se inscrever e depoimentos de outras pessoas.  segue aqui o texto na íntegra!

algumas passagens, sobre camisetas:

  • no dia 9 à noite, um dos companheiros de quarto quebrou o silêncio. culpa do gustavo ziller. eu estava vestindo a camiseta aconcágua, elaborada para o projeto 7 cumes, quando o ouço uma voz: você já escalou esse cume? tentei não dar moral mas ele insistiu, respondi seco que ainda não. trocamos mais umas palavras e pedi pra ele segurar até o dia seguinte. faltava pouco pro final e logo poderíamos trocar ideia.
  • essa mesma camiseta me fez conhecer o tal carlos, argentino, que citei lá em cima. logo na chegada, dia zero, ele me chamou pra sentar do lado dele e comentou que nascera perto de mendoza. também perguntou se eu já tinha escalado o aconcágua e desenrolamos um papo.
  • quando foi quebrado o nobre silêncio, várias pessoas (umas 5 ou 6) comentaram que repararam nas camiseta que eu usava. que gostaram dessa ou daquela, e lembravam o tema. sem terem nem ideia de que todas eram da nossa empresa de camisetas.
  • quando conversando sobre a atividade de cada um e eu falava da empresa de camisetas, vários ressaltavam as estampas. tinha gente de floripa, brasília, curitiba, bh, são paulo, argentina, noruega, colombia, rio de janeiro, de variados backgrounds destacando as camisetas e isso reforçou minha convicção de pensá-las como mensageiras, e que bom que eram notórias. talvez a gente faça alguma sobre o tema vipassana.
  • conheci um camarada, contador de causos, sessenta e poucos anos que vestiu, num dia de silencio, uma camiseta com os dizeres: ‘im not old. im a recycled teenager’. comentei que tinha curtido. ele disse que comprara na califórnia, que seu filho mora e trabalha no vale do silício “é desses loucos aí.. da área de t.i, o maior nerd.” e ia todo ano visitá-lo. perguntei entre várias coisas como ele tinha ido para ali: disse que é trilheiro de final de semana. que gosta de andar no mato. um dia, olhando o google maps ele viu uma construção no meio do nada, não tinha percurso planejado praquele dia e resolveu ir lá ver. o local estava em reforma e perguntou o que funcionava ali. “um curso de meditação? interessante, bota meu nome aí.” explicaram tudo, ele insistiu que queria participar e ali estava ele, no último dia, dando seu depoimento. nem pra ele tinha sido fácil, fez analogias e contou suas histórias da época de exército. foi todo preparado. sujeito descomplicado, curtidor da vida. ele disse: camiseta era a único meio de nos comunicar, de passar uma mensagem. disse que levado aquela de propósito. sujeito espirituoso, achei muito massa.

a título de curiosidade..

algumas ‘volver’ que usei lá: coração na curva do rio, aconcágua, the birds, hiroshima, tuff gong, foo fighters, belá bartok, blackbird, just breathe.

 

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